Eu devia ter uns oito, dez anos quando ouvi pela primeira vez alguém dizer que tinha um amigo imaginário. Achei muito louco. Principalmente porque nunca tinha pensado em precisar inventar um amigo, já que eu possuía vários.
Os anos passaram e eu cada vez entendia melhor essa coisa de amigo imaginário. Você podia criar alguém que fosse o melhor amigo do mundo, sem defeitos, que gostasse das mesmas coisas que você, que nunca reclamasse e o principal: que nunca mudasse.
Passei a achar menos louca essa história toda. Imagina aquele amigo perfeito? Nem precisávamos criar só amigos, podíamos criar um namorado, uma família, um animal de estimação...
Quase dez anos depois de ouvir sobre essa imaginação tão fértil, me dei conta de que amigo imaginário não é tão perfeito assim. Motivos para isso? Primeiro, ter defeito é o que faz aquele amigo ser AQUELE amigo. Segundo, uma amizade perfeita não é baseada só naquilo que é bom. O ruim é uma parte fundamental. Último e mais importante, o imaginário não existe. Não há abraço, não há toque, não há aquele olhar que muitas vezes faz a diferença. Um grande problema de criar esses amigos é que às vezes confundimos aquela pessoa real com aquele amigo imaginário, sem um mísero defeitinho. Mas isso é fácil de arrumar, é só voltar pra realidade que o real volta a ser normal.
O pior mesmo é quando uma pessoa real se torna imaginária, aí não tem mais jeito...